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Recomendações Técnicas Pimentão

Luis Felipe Lima e Silva

 

CULTURA DO PIMENTÃO

 

Sumário

1- INTRODUÇÃO

2- CARACTERÍSTICAS DA PLANTA E DOS FRUTOS

3- EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS

4 VALOR NUTRICIONAL

5 INDICAÇÕES TÉCNICAS DA CADEIA PRODUTIVA

5.1 PREPARO DO SOLO

5.2 ADUBAÇÃO

5.3 PRODUÇÃO DE MUDAS

5.4 TUTORAMENTO/CONDUÇÃO DA CULTURA

5.5 IRRIGAÇÃO

5.6 CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

5.7 PRAGAS E DOENÇAS

5.8 COLHEITA

5.9 PROCESSAMENTO E COMERCIALIZAÇÃO

6 PRINCIPAIS INOVAÇÕES DA FASE AGRÍCOLA DE PRODUÇÃO

7 LITERATURA CONSULTADA

 

 

1 INTRODUÇÃO

O pimentão (Capsicum annuumL.) é uma hortaliça fruto de origem latino-americana tipicamente conhecida na culinária nacional. Pertence a família das solanáceas, a mesma família das pimentas, batata, jiló, beringela e o tomate. O pimentão mais consumido no Brasil ainda é o tipo padrão, cônico de coloração verde-escura. No entanto, atualmente encontra-se no mercado pimentões de diversas cores (o vermelho, o amarelo, o creme ou marfim, o laranja e o roxo) e diferentes formatos (quadrados, alongados ou curtos). O pimentão figura entre as dez hortaliças mais importantes do mercado e é plantado e consumido em todo o país. É componente do cardápio diário da população, utilizado em diferentes pratos como refogados, sopas, saladas, assados e frituras. Também é usado como tempero para melhorar o aroma e a cor dos alimentos.

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2 CARACTERÍSTICAS DA PLANTA E DOS FRUTOS

Planta arbustiva, semiperene, porte ereto, cultivada como planta anual. Apresenta folhas de coloração verde-escura e com formato oval-lanceolado. Frutos do tipo baga, com formato que varia de cúbico a piramidal encontrado-se geralmente em posição pendente.

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3 EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS

Temperaturas e luminosidades elevadas, a cultura não tolera geadas:

Germinação: 25 – 30ºC

Desenvolvimento: 20 – 25 ºC

Florescimento: 18 – 20ºC

Solo: Bem drenado, profundo, com baixa salinidade e PH em torno de 5,5 a 7,0. Deve-se evitar locais onde foram cultivados recentemente tomate, fumo, berinjela, batata, pepino, abóbora, melancia e melão.


4 VALOR NUTRICIONAL

Rico em vitamina C, sendo que em algumas variedades a taxa dessa vitamina supera os teores encontrados em frutas cítricas como laranjas. O pimentão também possui grandes quantidades de ferro, cálcio e fósforo e baixas calorias (Tabela 1).

Tabela 1. Quantidade em 100 gramas de fruto in natura (pimentão verde).

Composto/unidade

Total

Água (%)

92,8

Calorias (Kcal)

29

Fibras (%)

1,8

Cálcio (mg)

12

Fósforo (mg)

28

Ferro (mg)

0,400

Potássio (mg)

153,7

Sódio (mg)

28,20

Vitamina A (µg)

200

Vitamina B1 (µg)

20

Vitamina B2 (µg)

30

Vitamina B3 (µg)

0,200

Vitamina C (mg)

126

Cobre (mg)

0,10

Enxofre (mg)

17

Magnésio (mg)

11

Manganês (mg)

0,260

Zinco (mg)

1,300

                                         *Fonte: Embrapa Hortaliças.

 

 


5 INDICAÇÕES TÉCNICAS DA CADEIA PRODUTIVA

 

 

 5.1 PREPARO DO SOLO

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Após realizada a limpeza da área, deve-se fazer a aração do solo a 30 cm, posteriormente deve-se realizar duas gradagens, sendo a primeira para o nivelamento do terreno e a segunda para incorporar o calcário no solo.

 

5.2 ADUBAÇÃO

Aproximações de adubação de plantio sugeridas pela EMBRAPA 2012 para o cultivo de pimentas e pimentão nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal estão apresentadas na tabela 2:

        Tabela 2: Aproximações de adubação de plantio de pimentas e pimentão.

 

(kg/ha)

São Paulo

Minas Gerais

Distrito Federal

N

40

60

150

P2O5*

160 - 600

180 - 300

150 - 500

K2O*

60 - 180

120 - 240

75 - 175

B

2 - 4

2 - 4

2 - 4

Zn

2 - 3

2 - 3

2 - 3

S

10 - 30

10 - 30

10 - 30

 * A dosagem (kg/ha) de P2O5 e de K2O varia em função da classe de fertilidade do solo mediante análise química (baixa, média ou alta).

 

5.3 PRODUÇÃO DE MUDAS

 

chilli-plants

   Para a produção comercial, recomenda-se que a semeadura seja feita em bandejas de isopor de 128 ou 200 células, preferencialmente preenchidas com substrato comercial, semeando-se 2 sementes por célula a 0,5 cm de profundidade. Posteriormente com o desenvolvimento das mudas deve ser feito o desbaste da muda aparentemente pior. Se a opção for pela utilização de sementes híbridas, pode-se semear apenas 1 semente por célula da bandeja, devido ao alto custo destas sementes.

   

   É recomendável cultivar as mudas em cultivo protegido como telados ou casa de vegetação, mantendo-se as bandejas em uma altura de no mínimo 0,5 metros do solo. O transplante para o local definitivo deve ser realizado quando as mudas apresentarem sua altura cerca de 10 cm, o que leva de 35 a 40 dias após a semeadura. 

 

 

 5.4 TUTORAMENTO/CONDUÇÃO DA CULTURA 

Para evitar o contato dos frutos com o solo e também facilitar os tratos culturais, a cultura deverá ser tutorada tanto no sistema de cultivo protegido quanto em campo aberto. Existem diversos sistemas de condução das plantas adotados atualmente, os mais utilizados são os sistemas verticais de espaldeira simples ou de espaldeira dupla.

 

Cultivo em campo: Normalmente no cultivo do pimentão realizado em campo o plantio é feito em sulcos, que devem ter 30 a 40 cm de largura e 20 a 25 cm de altura, sendo a distância entre eles de 80 cm e a distância entre plantas de 60 cm. Se a opção for por utilizar canteiros com fileiras duplas, deve-se utilizar um espaçamento de 40 a 50 cm entre fileiras e 60 cm entre plantas. Os canteiros devem ter de 1,0 a 1,2 m de largura e de 20 a 25 cm de altura.

 

Normalmente como tutores são utilizados estacas de madeira de aproximadamente 1 metro de altura, onde as plantas de pimentão são conduzidas com fios, arames ou fitilhos, dispostos na horizontal, com espaçamento vertical de 30 cm entre eles.

Quando o cultivo é realizado em estufa, recomenda-se eliminar todas as brotações laterais das plantas abaixo da primeira bifurcação, e selecionar acima desta quatro hastes para conduzir.

Já para cultivo realizado em campo aberto, não é necessário desbrotar, mas recomenda-se eliminar excesso de frutos para um melhor desenvolvimento dos frutos restantes.

 

5.5 IRRIGAÇÃO

A cultura é muito exigente em água durante todo seu ciclo, principalmente nas fases de floração e maturação dos frutos. Em regiões de precipitações mal distribuídas ou com baixos índices, deve-se suprir a demanda de água através da irrigação.

Em campo aberto, o sistema de irrigação deve ser escolhido de acordo com diversos fatores, tais como clima, tipo de solo, custos, água disponível, incidência de pragas e doenças, energia e mão de obra. Em cultivo protegido o sistema de irrigação indicado é o de gotejamento, sendo o método o mais econômico e eficiente, além de ainda possibilitar o uso de fertirrigação.

No Brasil, a cultura de pimentão é irrigada principalmente pelos sistemas por aspersão, seguido pelo sistema por sulcos e, em menor escala, pelo gotejamento.

Necessidade de água: Em termos gerais, varia de 500 a 800 mm, podendo ultrapassar os 1.000mm para cultivares de ciclo longo. A necessidade diária de água varia de 4 a 10 mm/dia no pico de demanda da cultura. A produtividade e qualidade dos frutos são diretamente proporcionais ao suprimento correto de água para a cultura.

Através do tensiômetro pode-se determinar o momento e a quantidade de água a ser aplicada. Para a cultura irrigada por aspersão ou sulcos, a tensão recomendada para a irrigação varia entre 25 e 30 kpa, durante o estádio reprodutivo, entre 50 e 60 kpa durante os estádios vegetativo e de maturação. Para gotejamento, a tensão recomendada varia de 10 a 15 kpa. Deve-se atentar para o não enxarcamento do solo, o que pode prejudicar a aeração do solo e favorecer o desenvolvimento de várias doenças.

Fertirrigação: Técnica que permite o suprimento dos fertilizantes de forma econômica e precisa para a cultura através da água de irrigação. A fertirrigação geralmente é utilizada nos sistemas por pivô central e principalmente por gotejamento. O parcelamento da fertilização através da fertirrigação permite manter o nível de fertilidade no solo próximo ao ideal durante todo ciclo da cultura, proporcionando aumento da produtividade e menores perdas dos nutrientes.

Os nutrientes mais aplicados via fertirrigação são os que possuem maior mobilidade no solo, como o potássio e nitrogênio. Recomenda-se fornecer o fósforo e outros nutrientes pouco móveis preferencialmente através da adubação básica de plantio.

Os principais fertilizantes utilizados atualmente via fertirrigação são: uréia, cloreto de potássio, nitrato de cálcio, nitrato de potássio, sulfato de amônio, sulfato de potássio e cloreto de cálcio. Deve-se atentar para não aplicar cálcio em água contendo altas taxas de bicarbonato (acima de 400 mg/L) ou simultaneamente com fertilizantes à base de sulfatos ou fosfatos sob o risco de precipitar e causar entupimento do sistema.

No sistema de irrigação por gotejamento sugere-se aplicar de 10% a 20% da recomendação total de nitrogênio e de potássio em pré-plantio, proporcionando uma reserva no solo e favorecendo o desenvolvimento inicial do cultivo e fornecer o restante via água durante o ciclo da cultura.

Para pivô central, aplicar 1/3 do nitrogênio em pré-plantio e parcelar o restante via água de irrigação, a partir de 30 dias após o plantio, a cada duas a três semanas até o início da maturação. O potássio e o cálcio, embora menos utilizados, também podem ser aplicados via água.

Em solos arenosos, a fertirrigação deve ser realizada a cada 1 a 2 dias, enquanto para solos argilosos pode-se adotar uma freqüência de uma a duas vezes por semana.

 

5.6 CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

As plantas daninhas competem diretamente com a cultura por água, luz, nutrientes, podendo afetar diretamente a qualidade e produção dos frutos se não forem controladas corretamente.

No pré-plantio, o controle das plantas daninhas pode ser feita com uma gradagem ou aplicação de herbicida de pré-plantio incorporado (Trifluralina - registrado para a cultura do pimentão pelo Ministério da Agricultura). Após o transplante das mudas, deve-se manter a área limpa de plantas daninhas por meio de capinas, visto que não existem herbicidas pós-emergência indicados para a cultura do pimentão.

Para um controle eficiente das plantas daninhas recomenda-se a integração das técnicas de manejo, preferencialmente através de métodos culturais e mecânicos, empregando-se diferentes métodos de prevenção e controle, tais como prevenir o aumento do banco de sementes ou propágulos vegetativos no solo através do controle dos mecanismos de disseminação delas, uso de rotação de culturas, espaçamento e densidade adequados, coberturas orgânica e/ou inorgânicas do solo, solarização e cultivos e capinas. As técnicas de controle das daninhas devem ser realizadas no mínimo até o período crítico do ciclo, ou seja, até que a cultura se estabelesça e não sofra mais interferência negativa delas.

 

5.7 PRAGAS E DOENÇAS

 

Pragas: Inúmeros insetos podem causar danos diretos ou indiretos na cultura do pimentão. Dentre as pragas comumente encontradas, alguns insetos causam danos diretos como também indiretos como propagação de viroses. Quando os fatores são favoráveis ao desenvolvimento destas espécies, elas podem crescer exponencialmente até atingirem níveis de danos econômicos para a produção.

 

Pulgões (Myzus persicae e Macrosiphum euphorbiae): Os pulgões podem causar danos diretos por meio da sucção da seiva, mas causam danos principalmente por serem vetores de diferentes viroses, como o Vírus do Enrolamento da Folha e o Vírus Y. O controle químico de adultos e larvas pode ser realizado com inseticidas carbamatos, fosforados e piretróides. A prática mais comum é de que quando constatados mais do que 40 insetos por folha, muitos produtores aplicam Piramicarb pois ele não irá afetar predadores e parasitas, os quais favorecem o controle biológico dessa praga.

 

Mosca branca (Bemisia argentifolii): Causa danos indiretos como vetor de diversas espécies de geminivírus e também danos diretos com a sucção da seiva das plantas. Quando as plantas atacadas são muito jovens, podem ter até mesmo seu crescimento paralisado. Devem ser adotadas as medidas de controle tais como práticas culturais adequadas, uso de cultivares resistentes e pulverização racional de inseticidas visando preservar a biodiversidade de inimigos naturais.

 

Traça (Tuta absoluta): Ocorre especialmente em períodos mais secos. Ao eclodirem os ovos colocados nas plantas, as larvas penetram nas folhas, frutos e hastes onde permanecem até se transfomarem em pupa. Os danos são direto quando as larvas se alimentam do interior das folhas fazendo galerias. O controle químico é a prática mais utilizada por agricultores, devendo-se utilizar os produtos registrados para o controle da praga no Ministério da Agricultura.

 

Ácaro do bronzeamento (Aculops lycopersici): Apresentam maior ocorrência em regiões com climas mais quentes e secos e são disseminados principalmente pelo vento. Causam sintomas de enrolamento e um bronzeamento característico das folhas, e em infestações agudas podem causar secagem das plantas e possivelmente, se não houver controle, perda total da produção.

 

Tripes (Frankliniella spp. e Thrips spp.): Apresentam maior importância por serem vetores de várias espécies de tospovírus. Se necessário podem ser controlados com inseticidas carbamatos  sistêmicos ou de contato.

 

Lagartas (Agrotis spp, Spodoptera frugiperda e S. littoralis) e brocas (Helicoverpa zea e Neoleucinodes elegantalis): Na ausência de controle podem causar danos severos aos frutos. Os principais sintomas são orifícios nos frutos. As brocas (Helicoverpa zea e Neoleucinodes elegantalis) ocorrem desde o início do florescimento. As larvas se desenvolvem no interior dos frutos e ao se alimentarem deles causam danos irreversíveis. O controle químico deve ser realizado desde o florescimento com jatos pulverizados diretamente nos frutos e flores, devendo-se utilizar os produtos registrados para o controle da praga no Ministério da Agricultura. O controle das lagartas (Agrotis spp, Spodoptera frugiperda e S. littoralis), pode ser realizado diretamente por pulverizações à base de Carbaryl, ou de forma indireta eliminando-se plantas daninhas, evitando-se que as pragas se proliferem.

 

Deve-se realizar o monitoramento periódico para apurar o nível de infestação dos insetos na cultura, que pode ser feito de forma direta através da determinação do número de insetos presentes utilizando-se de armadilhas específicas para cada inseto. O monitoramento pode ser também realizado de forma indireta por meio dos danos presentes nas plantas. Caso seja identificada infestação que cause dano econômico, deve-se optar pelo controle da praga.

 

As técnicas descritas a seguir tem como objetivo previnir ou controlar incidências de pragas:

  • Destruir os restos culturais
  • Utilização de mudas sadias
  • Eliminação de plantas silvestres hospedeiras
  • Rotação de culturas
  • Utilização de cultivares resistentes

 

Inseticidas e acaricidas não devem ser aplicados de forma preventiva, devendo ser aplicados somente com orientação do agrônomo responsável que certifique a infestação em um nível de dano econômico.

 

Doenças: Diversas doenças podem atacar a cultura do pimentão, as quais podem ser causadas por vírus, fungos, nematóides ou bactérias. Destacam-se as viroses como principais causadoras de danos a produção. Recomenda-se a utilização de um conjunto de técnicas de medidas de controle, manejo este conhecido como controle integrado.

 

Fungos: Ocorrem em maiores incidências principalmente em regiões que apresenta elevadas temperaturas e umidades relativas. As doenças fúngicas mais comumente observadas e que causam maiores danos econômicos para a cultura do pimentão são: murcha das plantas causada por phytophthora capsici, Antracnose dos frutos causado por Colletotrichum spp. e a queda das folhas causado por Cercospora Spp. Em regiões de clima seco pode ocorrer incidência de oídio causado por Leveillula taurica.

 

Bactérias: Causam grandes perdas principalmente em períodos chuvosos de alta umidade. As principais doenças descritas são a podridão mole dos frutos, causada por Erwinia spp., a mancha bacteriana causada por Xanthomonas campestris pv. Vesicatoria e a murcha bacteriana causada por Raustonea solanacearum. Vírus: Causam doenças foliares como mosaicos e deformações, e dependendo do nível de infestação pode levar a planta à morte. Os dois principais grupos de vírus comumente encontrados na cultura do pimentão são os tospovírus (vira cabeça) e os Potyvirus (Pepymv), que são transmititos principalmente pelos insetos vetores tripes e pulgões, reforçando a importância do monitoramento e controle desses insetos.

 

 Tabela 3. Principais doenças do pimentão e grau de severidade.

Doenças

Tipos de cultivo

Pós colheita

Campo/plasticultura

Estufa

Telado

Antracnose

xxx

x

x

xxx

Murcha bacteriana

xxx

x

x

-

Mosaico

x

xxx

xx

-

Escleródio

xx

xxx

xx

x

Fitóftora

xxx

xx

xx

x

Nematóide das galhas

xxx

xxx

xx

x

Oídio

x

xxx

xx

-

Podridão de esclerotinia

xxx

xx

xx

x

Podridão mole

xxx

xx

xx

xxx

Vira cabeça

x

xxx

xx

-

*Grau de severidade: (-) ausência; (x) baixo; (xx) médio; e (xxx) alto.

 

Doenças, Sintomas e condições favoráveis:

Antracnose (Colletotrichum gloesporioides e C. piperatum): A doença ocasiona danos graves tais como lesões, grandes manchas pardas e deprimidas, encharcadas inicialmente e depois secas; estes sintomas são mais evidentes em frutos maduros. Temperaturas e umidades elevadas favorecem seu desenvolvimento. Atualmente no mercado nacional já é possível encontrar cultivares resistentes.

Murcha bacteriana (Pseudomonas solanacearum): Causa podridão das raízes e escurecimento dos vasos condutores.  O controle/prevenção da doença pode ser feito através do isolamento dos focos da doença; da utilização de medidas preventivas como rotação de culturas com gramíneas e cuidados na irrigação e com a procedência da água.

Nematóides (Meloidogyne sp.): Ocasionam áreas engrossadas com caroços (galhas) nas raízes, promovendo o amarelecimento das folhas (principalmente as mais velhas), podendo evoluir em casos de infestações mais severas para a murcha da planta e até sua morte. Como ações preventivas recomenda-se não realizar o plantio em áreas com histórico de infestação da doença.

Podridão de esclerotínia (Sclerotinia sclerotiorum): Causa seca prematura das plantas, apresentando sintoma de “mela” nas folhas e hastes, e posteriormente o caule apresenta podridão seca. São denominados escleródios as estruturas de sobrevivência do fungo no solo, que pode ser superior a 10 anos. Observa-se maior incidência em períodos quentes e chuvosos.

Podridão do colo (Phytophthora capsici): Esta doença é favorecida por altos teores de umidade, (longos períodos de chuva e solos com mal drenados), associados a baixas temperaturas. A disseminação do fungo ocorre principalmente pelo escoamento de água contaminada no solo, e através de mudas, implementos e solos contaminados. Práticas preventivas como realizar a cultivo em solos bem drenados, utilizar cultivares resistentes, evitar excesso de água, e realizar rotação de culturas são recomendadas para evitar a contaminação.

Podridão-mole (Erwinia spp.): Na planta, o caule apodrecido fica normalmente escuro, por isso também é conhecida popularmente como canela-preta. São favorecidas por temperatura e umidade altas e só se tornam sérias na presença de ferimentos dos tecidos. Podem provocar perdas consideráveis pelo apodrecimento da batata-semente (antes e após o plantio), das ramas e dos tubérculos no campo ou armazenados. Erwinia spp. é uma bactéria encontrada com abundância em todos os solos brasileiros, podendo atacar diversos hospedeiros. Atacam principalmente as hortaliças, que produzem órgãos suculentos, como cenoura, mandioquinha-salsa, repolho, couve-flor e tomate.

Oídio (Oidiopsis taurica): É favorável ao seu desenvolvimento climas seco. Como principal sintoma verifica-se na face inferior das folhas um crescimento pulverulento esbranquiçado, normalmente apresenta-se primeiro em folhas mais velhas. Ainda não existem no Brasil cultivares de pimentão com bons teores de resistência ao oídio, assim, o manejo recomendado é realizar medidas integradas de controle.

Viroses: Como não existem medidas químicas curativas para controlar viroses, medidas integradas de prevenção devem ser adotadas associadas ao correto manejo técnico da cultura.

As técnicas descritas a seguir tem como objetivo previnir ou controlar incidências de doenças:

  • ·         Plantar sementes de boa qualidade, de variedades adaptadas para a região de plantio, adquiridas de firmas idôneas.
  • ·         Usar água de irrigação de boa qualidade, em quantidade correta sem excessos.
  • ·         Escolher a área para produção que não tenha histórico de cultivos anteriores de solanáceas como pimentas, tomate, berinjela e jiló, e distante de possíveis produtores vizinhos destas culturas.
  • ·         Controlar os possíveis insetos vetores de viroses.
  • ·         Evitar ferimentos à planta durante as operações de tranplante, tutoramento, capinas ou outros tratos culturais.
  • ·         Realizar rotação de culturas.
  • ·         Desinfecção de máquinas e pessoas que irão transitar no cultivo.
  • ·         Destruir restos culturais após a colheita.
  • ·         Inspecionar a lavoura periodicamente para identificar possíveis focos de doenças e os níveis dos danos.
  • ·         Seguir todas as indicações de manejo técnico para todas as fases da cadeia produtiva.

 

Caso seja identificada qualquer alteração ou sintomas de doenças ou de infestações de pragas nas plantas, o agricultor deve procurar imediatamente um agrônomo especializado para a identificação e possível resolução do problema.

 

5.8 COLHEITA

O ponto de colheita do pimentão varia com cada tipo cultivado, com a região de cultivo, com o clima e de acordo com o manejo cultural adotado. De uma forma geral, as cultivares mais precoces atingem o ponto da primeira colheita por volta dos 90 dias, e após 120 dias para as mais tardias, podendo-se extender as colheitas em até 10 meses dependendo do caso. O ponto de colheita ideal é determinado visualmente, quando os frutos atingirem o formato e a cor almejados, quando no mínimo 70% dos frutos estiverem nesse estado.

Em grande parte, a colheita ainda é feita manualmente cortando-se o pedúnculo do fruto com canivete ou tesoura afiada, evitando-se sempre possíveis danos aos frutos e as plantas. Os frutos devem ser acondicinados em recipiente adequado, como contentores plásticos ou caixas próprias, mantendo-se sempre a integridade dos mesmos.

 

5.9 PROCESSAMENTO E COMERCIALIZAÇÃO

Atualmente tem-se aumentado a demanda no mercado por frutos coloridos, os quais atingem maiores valores de venda principalmente por que os frutos são colhidos quando estão totalmente maduros, o que diminui a produção por planta e aumenta consequentemente os custos investidos.

Após a colheita, devem-se separar os frutos com as melhores características, ou seja, aqueles que apresentarem uniformidade de coloração, que estiverem limpos, isentos de pragas, doenças, danos físicos, fisiológicos e mecânicos e de substâncias nocivas à saúde.

Classificação dos frutos:

    • GRUPO: de acordo com o formato do fruto;
    • SUB-GRUPO: de acordo com a coloração do fruto;
    • CLASSE: de acordo com o comprimento fruto;
    • SUB-CLASSE: de acordo com o diâmetro (calibre) do fruto;
    • CATEGORIA: de acordo com as tolerâncias de defeitos

 

022 20

 

Embalagem: São usadas diferentes embalagens para a comercialização do pimentão, de acordo com o tipo do fruto, região e demando do mercado. Normalmente no mercado atacadista são comercializados em caixas de plástico ou de madeira do tipo k (12 – 15 kg), em sacos plásticos ou até mesmo em caixas de papelão dependendo da cultivar. No varejo o pimentão é comercializado de diferentes formas, sendo a mais comum a granel, onde o próprio consumidor seleciona a quantidade e qualidade a ser comprada. Em supermercados e sacolões são também comercializados em bandejas de isopor cobertas com filme PVC e em sacos plásticos perfurados. Os pimentões deverão ser embalados em locais de fácil higienização, limpos, cobertos, ventilados, secos, com o objetivo de evitar possíveis danos à qualidade e conservação dos mesmos.

 

6 PRINCIPAIS INOVAÇÕES DA FASE AGRÍCOLA DE PRODUÇÃO 

 

 Melhoramento Genético: 

Teor ideal de pungência, formato do fruto, espessura da poupa, porte e precocidade.

Resistência às doenças, principalmente TMV, CMV, Tospovírus, Nematóides e Phytophthora capsic.

 

Sementes Peletizadas, incrustadas, peliculização:

            Revestimento das sementes, principais objetivos:

  • Maior massa de acabamento liso;
  • Facilita distribuição e manuseio;
  • Inocular aditivos e microorganismos;
  • Ganho de produtividade;
  • Agregação de insumos agrícolas às sementes.

 

Principais inovações para produção de mudas: Substratos e máquinas.

Substratos meio de cultivo (material mineral ou orgânico), quimicamente inertes (não interferem na nutrição), quimicamente ativos (interferem na nutrição);

Uso de Semeadoras e transplantadoras mecânicas.

 

 

Para citar este artigo, use a referência: 

SILVA, L. F. L. O Mundo Das Hortaliças/Cultura do Pimentão. O mundo das hortaliças, Lavras, Minas Gerais., 2015.  Disponível em: <http://projetos.polarisweb.com.br/DES14006/index.php/component/k2/itemlist/category/124-jilo-recomendacao>. Acesso em: XX/XX/XX.

 

Lembrando que de acordo com o Código Penal, Art. 184, referente ao crime de violação aos direitos autorais, diz que: Violar direitos de autor e os que lhe são conexos vai contra o código penal e pode acarretar em penas de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

 

7 LITERATURA CONSULTADA

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CORREIA, L. C. Colheita, rendimento, classificação, embalagem e comercialização de pimentão e pimenta. Informe Agropecuário, v. 10, n. 113, p. 70-72, 1984.

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EMBRAPA/SEBRAE. Catálogo Brasileiro De Hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Brasília: EMBRAPA. 2010. 59p.

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