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Segunda, 27 Abril 2015 00:00

Jiló

Escrito por

 

Luis Felipe Lima e Silva;  Douglas Correa de souza

 

 

CULTURA DO JILÓ

  

Sumário

1- INTRODUÇÃO

2- CARACTERÍSTICAS DA PLANTA E DOS FRUTOS

3 - EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS

4 - VALOR NUTRICIONAL

5 - INDICAÇÕES TÉCNICAS DA FASE AGRÍCOLA DE PRODUÇÃO

5.1 PREPARO DO SOLO

5.2 ADUBAÇÃO

5.3 PRODUÇÃO DE MUDAS

5.4 TUTORAMENTO/CONDUÇÃO DA CULTURA

5.5 IRRIGAÇÃO

5.6 CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

5.7 PRAGAS E DOENÇAS 

5.8 COLHEITA 

5.9 PROCESSAMENTO E COMERCIALIZAÇÃO

6 - PRINCIPAIS INOVAÇÕES DA FASE AGRÍCOLA DE PRODUÇÃO

7 - LITERATURA CONSULTADA

 

1- INTRODUÇÃO

O jiloeiro (Solanum gilo Raddi) é uma hortaliça tipicamente tropical, por isso, é uma cultura que normalmente exige temperaturas elevadas. Pertence à família das solanáceas, a mesma família das pimentas, batata, berinjela, tomate, entre outros. Seus frutos são de coloração verde clara ou verde-escura quando imaturos, tornando-se laranja avermelhados quando maduros. A planta do jiló é semelhante à da berinjela, mas seus frutos são bem menores e apresentam um sabor amargo característico.

 

2- CARACTERÍSTICAS DA PLANTA E DOS FRUTOS

Planta anual, herbácea, formando um arbusto bem ramificado, que pode atingir até um metro de altura. Seus ramos são alongados, cilíndricos e verdes, com folhas de formato oblongo e recobertas por tricomas ou pêlos, principalmente na superfície inferior. O fruto do jiloeiro, produto comercial, possui coloração verde clara ou escura, e seu formato pode ser oblongo, quase esférico, ou alongado, dependendo da variedade. Tais frutos possuem um acentuado e característico sabor amargo.

 

3- EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS

Planta de clima quente e muito exigente em temperatura. A época de plantio comumente indicada para o plantio do jiló está entre os meses de setembro a fevereiro, sendo que também é cultivado ao longo do ano em menores escalas em regiões de baixas altitudes e que apresentam seu inverno mais ameno, visto que a cultura é pouco resistente às baixas temperaturas e não tolera geada. É recomendado evitar instalar a cultura do jiló em locais onde foram cultivados recentemente tomate, fumo, berinjela, batata, pepino, abóbora, melancia e melão, visto que as principais moléstias tidas como causadoras de danos econômicos são normalmente de ocorrência comum para essas culturas.

 

4- VALOR NUTRICIONAL

O fruto do jiló é considerado boa fonte de cálcio, fósforo e ferro. Possui baixo teor calórico e significativas quantidades de vitaminas A, B e C.

                                                                                  Tabela 1: Constituição nutricional de 100 gramas de jiló in natura.

Água (%)

90,70

Calorias (Kcal)

38,00

Fibras (%)

1,20

Cálcio (mg)

22,00

Fósforo (mg)

34,00

Ferro (mg)

1,00

Potássio (mg)

186,50

Vitamina A (µg)

66,00

Vitamina B1 (µg)

70,00

Vitamina B2 (µg)

70,00

Vitamina B3 (µg)

1,00

Vitamina C (mg)

12,40

Cobre (mg)

0,42

Manganês (mg)

3,80

Zinco (mg)

2,30

                

                   

5- INDICAÇÕES TÉCNICAS PARA FASE AGRÍCOLA DE PRODUÇÃO

5.1 PREPARO DO SOLO

Se comparado às demais solanáceas, o jiló é menos exigente em nutrientes e mais tolerante à acidez. A cultura apresenta melhor desenvolvimento em solos de textura areno-argilosa, embora apresente relativamente boa capacidade de adaptação a diferentes tipos de solo. É uma cultura que exige solos bem drenados e cuidados na irrigação, pois é intolerante a solos encharcados.

 

5.2 ADUBAÇÃO

Em relação à necessidade de calagem, de acordo com a análise de solo recomenda-se fazer a correção do mesmo quando estiver com pH abaixo de 5,5 e o teor de alumínio for superior a 0,2 cmolc/dm³.Depois de realizada a limpeza da área, deve-se fazer a aração do solo a 30 cm, e duas gradagens, sendo a primeira para o nivelamento do terreno e a segunda para incorporar o calcário no solo.Após o preparo do solo deve-se fazer o preparo e as adubações baseadas na análise de solo e exigências culturais.

 

Se a opção for por adubação orgânica, é indicado realizar cerca de 30 dias antes do plantio das mudas. Na literatura existem recomendações superficiais, pois o mais indicado é fazer a nutrição da cultura levando em consideração a análise de solo. Alguns produtores utilizam esterco de galinha numa quantidade aproximada de 2 litros de esterco por metro linear (canteiro ou sulco). Existem outras fontes alternativas para adubação orgânica, tais como 5-8 ton/ha de esterco de ave, 10-15 ton/ha de esterco de cama de ave ou composto orgânico ou 20-30 ton/ha de esterco de curral/ha.

 

Para um correto fornecimento dos nutrientes para a cultura, é recomendado realizar a adubação química associada à interpretação da análise de solo. Para isso, é indicado associar a análise de solo às recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em cada estado. A Tabela 1 se refere a 5ª aproximação para a adubação química no estado de Minas Gerais.

                                                            Tabela 2. Níveis de fertilidade para hortaliças.

Características                            Classe de fertilidade

    químicas                         Muito baixa/          média                 alta

                                                  baixa

P (mg/dm3)

< 10

10-30

> 30

K (mg/dm3)

< 40

40-120

> 120

Ca (mg/dm3)

< 2,0

2,0-5,0

> 5,0

Mg (mg/dm3)

< 0,5

0,5-1,2

> 1,2

Matéria orgânica (%)

< 2,0

2,0-5,0

> 5,0

 

                                                            Tabela 3. Recomendação de adubação fosfatada, potássica e nitrogenada para a cultura do jiló.

Disponibilidade

P e K no solo                  P2O5                          K2O                         N

                                ---------------------------Kg/ha----------------------------

Baixa

200

160

100

Média

160

120

100

Boa

120

80

100

Muito boa

80

50

100

 

 O suprimento dos fertilizantes geralmente é parcelado, sendo que na adubação de plantio deve ser incorporado ao solo todo o P2O5. O nitrogênio e potássio são incorporados cerca de 20% no plantio, e futuramente o restante em parcelas, dividido normalmente de 20 a 30% da recomendação total de cada adubo por cobertura.

É indicado realizar a adubação de cobertura 30 dias após a data do transplante das mudas e em intervalos consecutivos de 30 dias após a data de início da colheita.

 

5.3 PRODUÇÃO DE MUDAS

O processo de produção de mudas pode ser feito de maneira tradicional, através da semeadura em canteiros e repicagem para recipientes próprios, para o posterior transplantio para o local definitivo, ou pelo método mais atual, através do uso de bandejas de isopor de 128 ou 200 células, preenchidas de preferência com substrato inerte, semeando-se de 2 a 3 sementes por célula a 0,5 cm de profundidade. Posteriormente, deve ser feito o desbaste das mudas que estiverem aparentemente em piores condições de desenvolvimento e as que apresentarem sinais de ataques de pragas ou doenças. Se as sementes utilizadas foram híbridas, devido ao alto custo dessas sementes, pode-se semear apenas uma por célula da bandeja para evitar perdas. O transplante para o local definitivo é realizado quando as mudas apresentam em média de 4-6 folhas definitivas ou quando apresentarem sua altura cerca de 10 cm, o que normalmente leva de 35 a 40 dias após a semeadura. É recomendável realizar a etapa de produção de mudas em cultivo protegido com o uso de telados ou em casa de vegetação, mantendo-se as bandejas em uma altura de no mínimo 0,5 metros do solo.

São poucas as cultivares disponíveis, compreendendo basicamente dois tipos: um com frutos compridos verdes-claros (preferidos nos mercados mineiro, carioca, fluminense e goiano) e outro com tipos redondos verdes-escuros (preferidos no mercado paulista). As cultivares disponíveis são todas brasileiras. A cultivar Comprido Grande Rio (tradicional no Rio de Janeiro), produz frutos alongados, de coloração verde-clara. Contrariamente, a cultivar Morro Grande, (tradicional em São Paulo), apresenta frutos redondos, de coloração verde-escura.

 

5.4 TUTORAMENTO/CONDUÇÃO DA CULTURA

Realização de um manejo padronizado e baseado nas principais recomendações técnicas para a cultura, a qual é implementada a campo aberto. Neste tipo de cultivo é menor o controle do produtor sobre o ciclo da cultura. Normalmente no cultivo em campo, o plantio é feito em sulcos, que devem ter 30 a 40 cm de largura e 20 a 25 cm de altura, sendo a distância entre os sulcos de 80 cm e a distância entre plantas de 60 cm.

Para evitar o contato dos frutos com o solo e facilitar os tratos culturais, a cultura deve ser tutorada tanto no sistema de cultivo protegido quanto em campo aberto. Existem diversos sistemas de condução das plantas adotados atualmente, os mais utilizados são os sistemas verticais de espaldeira simples ou de espaldeira dupla. Normalmente, são utilizadas como tutores estacas de madeira de aproximadamente 1 metro de altura (estaqueamento), nas quais as plantas são conduzidas com fios, arames ou fitilhos, dispostos na horizontal, com espaçamento vertical de 30 cm. Quando o cultivo é realizado em estufa, o recomendado é eliminar todas as brotações laterais das plantas abaixo da primeira bifurcação, e selecionar acima destas quatro hastes para conduzir. Já para cultivo realizado em campo aberto, não é necessário realizar a desbrota, mas o recomendado é eliminar o excesso de frutos para um melhor desenvolvimento dos frutos restantes.

 

5.5 IRRIGAÇÃO

A cultura do jiló é exigente em água durante todo seu ciclo, principalmente nas fases de floração e maturação dos frutos. Em regiões de precipitações mal distribuídas ou com baixos índices, a demanda de água deve ser suprida por meio da irrigação. Em campo aberto, o sistema de irrigação deve ser escolhido de acordo com diversos fatores, tais como clima, tipo de solo, custos, água disponível, incidência de pragas e doenças, energia e mão de obra. Em cultivo protegido normalmente o sistema de irrigação mais indicado é por gotejamento, sendo o método o mais econômico e eficiente, além de ainda possibilitar o uso de fertirrigação.

 Em termos gerais, varia de 500 a 800 mm, podendo ultrapassar os 1.000 mm para cultivares de ciclo longo. A necessidade diária de água varia de 4 a 10 mm/dia no pico de demanda da cultura. A produtividade e qualidade dos frutos são diretamente proporcionais a ao suprimento correto de água.

Existem diferentes equipamentos passíveis de serem usados para aferir a necessidade de irrigação. O tensiômetro é um exemplo desses, e por meio dele é possível determinar o momento e a quantidade de água a ser aplicada. Para a cultura irrigada por aspersão ou sulcos, a tensão do solo recomendada para a irrigação varia entre 25 e 30 kPa, durante o estádio reprodutivo, entre 50 e 60 kPa durante os estádios vegetativo e de maturação. Para gotejamento, a tensão recomendada varia de 10 a 15 kPa. Deve-se atentar para o não enxarcamento do solo, o que pode prejudicar a aeração e favorecer o desenvolvimento de várias doenças.

 

Fertirrigação:

A técnica de fertirrigação permite o suprimento dos nutrientes de forma econômica e precisa para a cultura através da água de irrigação. A fertirrigação geralmente é utilizada nos sistemas por pivô central e principalmente por gotejamento. O parcelamento da fertilização através da fertirrigação permite manter o nível de fertilidade no solo próximo ao ideal durante todo ciclo da cultura, proporcionando aumento da produtividade e menores perdas de água e fertilizantes. Os nutrientes mais aplicados via fertirrigação são os que possuem maior mobilidade no solo, como o potássio e nitrogênio.

Recomenda-se fornecer o fósforo e outros nutrientes pouco móveis preferencialmente através da adubação básica de plantio. Os principais fertilizantes utilizados atualmente via fertirrigação são: uréia, cloreto de potássio, nitrato de cálcio, nitrato de potássio, sulfato de amônio, sulfato de potássio e cloreto de cálcio. Deve-se atentar para não aplicar cálcio em água contendo altas taxas de bicarbonato (acima de 400 mg/L) ou simultaneamente com fertilizantes à base de sulfatos ou fosfatos sob o risco de precipitar e causar entupimento do sistema.

No sistema de irrigação por gotejamento é sugerido aplicar de 10% a 20% da recomendação total de nitrogênio e de potássio em pré-plantio, proporcionando uma reserva no solo e favorecendo o desenvolvimento inicial do cultivo; o restante deve ser suprido via água no decorrer do ciclo da cultura.

Para pivô central, o recomendado é aplicar 1/3 do nitrogênio em pré-plantio e parcelar o restante via água de irrigação, a partir de 30 dias após o plantio, a cada duas a três semanas até o início da maturação. O potássio e o cálcio, embora menos utilizados, também podem ser aplicados via água.

Em solos arenosos, normalmente a fertirrigação deve ser realizada a cada 2 dias, enquanto para solos argilosos é permitido adotar uma freqüência menor, em média uma a duas vezes por semana.

 

5.6 CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

As plantas daninhas competem diretamente com a cultura por água, luz e nutrientes, podendo afetar diretamente a qualidade e produção se não forem controladas corretamente. No pré-plantio, o controle das plantas daninhas pode ser feito com uma gradagem ou aplicação de herbicida de pré-plantio. Após o transplante das mudas, deve-se manter a área limpa de plantas daninhas por meio de capinas, visto que não existem herbicidas pós-emergência indicados para a cultura do jiló. Para um controle eficiente das plantas daninhas o mais recomendado atualmente é de que seja feita a integração das técnicas de manejo, preferencialmente através de métodos culturais e mecânicos, empregando-se diferentes métodos de prevenção e controle, tais como prevenir o aumento do banco de sementes ou propágulos vegetativos no solo através do controle dos mecanismos de disseminação delas, uso de rotação de culturas, espaçamento e densidade adequados, coberturas orgânica e/ou inorgânicas do solo, solarização, cultivos e capinas, no mínimo durante o período crítico, ou seja, até que a cultura se estabelesça e não sofra mais interferência negativa delas. O terreno deve ser mantido limpo de plantas invasoras durante todos os estádios de desenvolvimento da cultura, e como não existe herbicida registrado para o controle de plantas daninhas no jiló, o controle deve ser realizado por capinas manualmente ou com auxílio de maquinário. Como alternativa é recomendado o uso de mulching (cobertura morta com plástico, método associado principalmente ao tipo de irrigação por gotejamento).

 

5.7 PRAGAS E DOENÇAS

Pragas: Inúmeros insetos podem causar danos diretos ou indiretos na cultura do Jiló. Dentre as pragas comumente encontradas, alguns artrópodes como pulgões e tripes podem causar danos indiretos como vetores de viroses. Besouros, lagartas, vaquinhas, brocas e ácaros também são descritos como principais pragas que podem causar danos diretos na cultura. Quando os fatores são favoráveis ao desenvolvimento destas populações, elas podem crescer exponencialmente até atingirem níveis de danos econômicos para a produção. Deve-se realizar o monitoramento periódico do nível de infestação dos insetos na cultura, que pode ser feito de forma direta através da determinação do número de insetos presentes utilizando-se de armadilhas específicas para cada inseto ou de forma indireta através do monitoramento dos danos presentes. Caso seja identificada infestação que cause dano econômico, deve-se optar pelo controle da praga. 

 Doenças: Diversas doenças podem atacar a cultura do jiló, as quais podem ser causadas por vírus, fungos, nematóides ou bactérias. Destacam-se as viroses como principais causadoras de danos a produção. Recomenda-se a utilização de um conjunto de técnicas de medidas de controle, manejo este conhecido como controle integrado. Os fungos ocorrem em maiores incidências principalmente em regiões que apresentam elevadas temperaturas e umidades relativas. As bactérias causam grandes perdas principalmente em períodos chuvosos de alta umidade. As doenças viróticas causam doenças foliares como mosaicos e deformações, e dependendo do nível de infestação, chegam a matar a planta.

Anomalias Fisiológicas: É pouco comum a ocorrência de anomalias fisiológicas na cultura do jiló, sendo mais observadas em cultivos de regiões com baixas temperaturas predominantes, que podem causar o aborto de flores e consequentemente a queda de flores e frutos.

 

Principais pragas:

Pragas: Inúmeros insetos podem causar danos diretos ou indiretos na cultura do pimentão. Dentre as pragas comumente encontradas, alguns insetos causam danos diretos como também indiretos como propagação de viroses. Quando os fatores são favoráveis ao desenvolvimento destas espécies, elas podem crescer exponencialmente até atingirem níveis de danos econômicos para a produção.

Pulgões (Myzus persicae e Macrosiphum euphorbiae): Os pulgões podem causar danos diretos por meio da sucção da seiva, mas causam danos principalmente por serem vetores de diferentes viroses, como o Vírus do Enrolamento da Folha e o Vírus Y. O controle químico de adultos e larvas pode ser realizado com inseticidas carbamatos, fosforados e piretróides. A prática mais comum é de que quando constatados mais do que 40 insetos por folha, muitos produtores aplicam Piramicarb pois ele não irá afetar predadores e parasitas, os quais favorecem o controle biológico dessa praga.

Mosca branca (Bemisia argentifolii): Causa danos indiretos como vetor de diversas espécies de geminivírus e também danos diretos com a sucção da seiva das plantas. Quando as plantas atacadas são muito jovens, podem ter até mesmo seu crescimento paralisado. Devem ser adotadas as medidas de controle tais como práticas culturais adequadas, uso de cultivares resistentes e pulverização racional de inseticidas visando preservar a biodiversidade de inimigos naturais.

Traça (Tuta absoluta) - Ocorre especialmente em períodos mais secos. Ao eclodirem os ovos colocados nas plantas, as larvas penetram nas folhas, frutos e hastes onde permanecem até se transfomarem em pupa. Os danos são direto quando as larvas se alimentam do interior das folhas fazendo galerias. O controle químico é a prática mais utilizada por agricultores, devendo-se utilizar os produtos registrados para o controle da praga no Ministério da Agricultura.

Ácaro do bronzeamento (Aculops lycopersici): Apresentam maior ocorrência em regiões com climas mais quentes e secos e são disseminados principalmente pelo vento. Causam sintomas de enrolamento e um bronzeamento característico das folhas, e em infestações agudas podem causar secagem das plantas e possivelmente, se não houver controle, perda total da produção.

Tripes (Frankliniella spp. e Thrips spp.): Apresentam maior importância por serem vetores de várias espécies de tospovírus. Se necessário podem ser controlados com inseticidas carbamatos  sistêmicos ou de contato.

Lagartas (Agrotis spp, Spodoptera frugiperda e S. littoralis) e brocas (Helicoverpa zea e Neoleucinodes elegantalis): Na ausência de controle podem causar danos severos aos frutos. Os principais sintomas são orifícios nos frutos. As brocas (Helicoverpa zea e Neoleucinodes elegantalis) ocorrem desde o início do florescimento. As larvas se desenvolvem no interior dos frutos e ao se alimentarem deles causam danos irreversíveis. O controle químico deve ser realizado desde o florescimento com jatos pulverizados diretamente nos frutos e flores, devendo-se utilizar os produtos registrados para o controle da praga no Ministério da Agricultura. O controle das lagartas (Agrotis spp, Spodoptera frugiperda e S. littoralis), pode ser realizado diretamente por pulverizações à base de Carbaryl, ou de forma indireta eliminando-se plantas daninhas, evitando-se que as pragas se proliferem.

 

As técnicas descritas a seguir tem como objetivo previnir ou controlar incidências de pragas:

·         Destruir os restos culturais

·         Utilização de mudas sadias

·         Eliminação de plantas silvestres hospedeiras

·         Rotação de culturas

·         Utilização de cultivares resistentes

Inseticidas e acaricidas não devem ser aplicados de forma preventiva, devendo ser aplicados somente com orientação do agrônomo responsável que certifique a infestação em um nível de dano econômico.

 

Principais doenças:

Antracnose (Colletotrichum gloesporioides e C. piperatum): A doença ocasiona danos graves tais como lesões, grandes manchas pardas e deprimidas, encharcadas inicialmente e depois secas; estes sintomas são mais evidentes em frutos maduros. Temperaturas e umidades elevadas favorecem seu desenvolvimento. Atualmente no mercado nacional já é possível encontrar cultivares resistentes.

Mancha de estenfílio (Stemphylium solani): Pode atacar as plantas desde a fase de mudas até a fase adulta. A doença ocasiona o surgimento de lesões pequenas e de cor parda. Recomenda-se o controle através da utilização de fungicidas cúpricos. Devem-se realizar práticas preventivas tais como rotação de culturas, realizar o plantio em área arejada, destruir os restos culturais e utilizar sempre sementes provenientes de frutos sadios.

Murcha bacteriana (Pseudomonas solanacearum): Causa podridão das raízes e escurecimento dos vasos condutores.  O controle/prevenção da doença pode ser feito através do isolamento dos focos da doença; da utilização de medidas preventivas como rotação de culturas com gramíneas e cuidados na irrigação e com a procedência da água.

 Nematóides (Meloidogyne sp.): Ocasionam áreas engrossadas com caroços (galhas) nas raízes, promovendo o amarelecimento das folhas (principalmente as mais velhas), podendo evoluir em casos de infestações mais severas para a murcha da planta e até sua morte. Como ações preventivas recomenda-se não realizar o plantio em áreas com histórico de infestação da doença.

Podridão do colo (Phytophthora capsici): Esta doença é favorecida por altos teores de umidade, (longos períodos de chuva e solos com mal drenados), associados a baixas temperaturas. A disseminação do fungo ocorre principalmente pelo escoamento de água contaminada no solo, e através de mudas, implementos e solos contaminados. Práticas preventivas como realizar a cultivo em solos bem drenados, utilizar cultivares resistentes, evitar excesso de água, e realizar rotação de culturas são recomendadas para evitar a contaminação.

 

Deve-se realizar o monitoramento periódico para apurar o nível de infestação dos insetos na cultura, que pode ser feito de forma direta através da determinação do número de insetos presentes utilizando-se de armadilhas específicas para cada inseto. O monitoramento pode ser também realizado de forma indireta por meio dos danos presentes nas plantas. Caso seja identificada infestação que cause dano econômico, deve-se optar pelo controle da praga.

As técnicas descritas a seguir tem como objetivo previnir ou controlar incidências de doenças:

·         Plantar sementes de boa qualidade, de variedades adaptadas para a região de plantio, adquiridas de firmas idôneas.

·         Usar água de irrigação de boa qualidade, em quantidade correta sem excessos.

·         Escolher a área para produção que não tenha histórico de cultivos anteriores de solanáceas como pimentas, tomate, berinjela e jiló, e distante de possíveis produtores vizinhos destas culturas.

·         Controlar os possíveis insetos vetores de viroses.

·         Evitar ferimentos à planta durante as operações de tranplante, tutoramento, capinas ou outros tratos culturais.

·         Realizar rotação de culturas.

·         Desinfecção de máquinas e pessoas que irão transitar no cultivo.

·         Destruir restos culturais após a colheita.

·         Inspecionar a lavoura periodicamente para identificar possíveis focos de doenças e os níveis dos danos.

·         Seguir todas as indicações de manejo técnico para todas as fases da cadeia produtiva.

Caso seja identificada qualquer alteração ou sintomas de doenças ou de infestações de pragas nas plantas, o agricultor deve procurar imediatamente um agrônomo especializado para a identificação e possível resolução do problema.

 

5.8 COLHEITA

Recomenda-se que a colheita seja iniciada com os frutos ainda imaturos e as sementes tenras; o fruto maduro de coloração vermelha só se presta para a produção de sementes. As colheitas iniciam-se aproximadamente 80-100 dias após a semeadura, podendo estender-se por mais de 100 dias, o que possibilita inclusive a realização de uma nova colheita dependendo das técnicas utilizadas. O processo da colheita pode estender-se em três meses ou mais, dependendo das condições fitossanitárias e do manejo ao qual está sendo submetida à cultura. O rendimento oscila em média entre 20-30 ton./ha. Em grande parte, a colheita ainda é feita manualmente cortando-se o pedúnculo do fruto com canivete ou tesoura afiada, evitando possíveis danos aos frutos e as plantas. Após a colheita, devem-se separar os frutos com as melhores características, ou seja, aqueles que apresentarem uniformidade de coloração e estiverem limpos, isentos de pragas, doenças, danos físicos, fisiológicos e mecânicos, como também de substâncias nocivas à saúde.

 

5.9 PROCESSAMENTO E COMERCIALIZAÇÃO

Durante a seleção dos produtos para comercialização são priorizados os seguintes fatores imprescindíveis para a obtenção de um produto final de qualidade:

Ausência de lesões: A presença de lesões reduz o valor do produto além de ser porta de entrada para fungos e bactérias e podem aumentar a perda de água ocasionando murchamento.

Boa aparência e aspecto: Esta característica assegura que o produto foi colhido no período correto de maturação e, portanto, apresenta todas as suas propriedades conservadas como bons valores nutricionais, sabor característico e um maior tempo de conservação.

Limpeza e higiene: Uma hortaliça limpa e higienizada representa um produto saudável e livre de contaminações.

 Ausência de manchas: A presença de manchas reduz o valor do produto devido ao escurecimento ocasionado pelas mesmas na área afetada, além de revelar que a hortaliça apresentou um amadurecimento desigual.

 

Após a colheita, os frutos devem ser acondicionados em recipiente adequado, como contentores plásticos ou caixas próprias, mantendo-se sempre a integridade dos mesmos. São usadas diferentes embalagens para a comercialização, de acordo com o tipo do fruto, região e demanda do mercado. Normalmente no mercado atacadista são comercializados em caixas de plástico ou de madeira do tipo k (12 – 15 kg), em sacos plásticos ou até mesmo em caixas de papelão dependendo da cultivar. No varejo o jiló é comercializado de diferentes formas, sendo a mais comum a granel, onde o próprio consumidor seleciona a quantidade e qualidade a ser comprada. Em supermercados e sacolões são também comercializados em bandejas de isopor cobertas com filme PVC e em sacos plásticos perfurados. Os frutos deverão ser embalados em locais de fácil higienização, cobertos, limpos, ventilados, secos, com o objetivo de evitar possíveis danos à qualidade e conservação dos mesmos.

 

 6- PRINCIPAIS INOVAÇÕES DA FASE AGRÍCOLA DE PRODUÇÃO

 

Sementes:

*        Melhoramento vegetal

-Resistência à antracnose foi relatada na cultivar Tinguá.

-Tem-se explorado a resistências às doenças gerais. Resistência à antracnose é obtida por meio de cruzamentos interespecíficos com berinjela.

*        Sementes Híbridas

-Desenvolvimentos híbridos F1 para o mercado paulista: O objetivo é obter híbridos com frutos redondos verdes escuros.

-Desenvolvimento de híbridos F1 para o mercado carioca/mineiro: O objetivo é obter híbridos com frutos compridos verde-claros.

*        Sementes Peletizadas, Incrustadas, Peliculização:

Revestimento das sementes:

-Maior massa de acabamento liso;

-Facilita distribuição e manuseio;

-Inocular aditivos e microorganismos;

-Ganho de produtividade;

-Agregação de insumos agrícolas às sementes.

 

* Substratos:

-Substratos meio de cultivo (material mineral ou orgânico)

-Quimicamente inertes (não interferem na nutrição)

-Quimicamente ativos (interferem na nutrição)

* Semeadoras mecânicas;

* Transplantadoras mecânicas.

 

 

Para citar este artigo, use a referência:

SILVA, L. F. L.; DE SOUZA, D. C. O Mundo Das Hortaliças/Cultura do Jiló. O mundo das hortaliças, Lavras, Minas Gerais., 2015. Disponível em: . Acesso em: XX/XX/XX.

 

 

Lembrando que de acordo com o Código Penal, Art. 184, referente ao crime de violação aos direitos autorais, diz que: Violar direitos de autor e os que lhe são conexos vai contra o código penal e pode acarretar em penas de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

 

 

7- LITERATURA CONSULTADA

BORÉM, A. Melhoramento de plantas. Viçosa: UFV, 1997. 547 p.

EMBRAPA HORTALIÇAS. Tabela de composição nutricional das hortaliças. Hortaliça jiló.Disponível em: <http://www.cnph.embrapa.br/util/tabelahortalicas.htm>. Acesso em 30/10/2012.

EMBRAPA/SEBRAE. Catálogo Brasileiro De Hortaliças: saiba como plantar e aproveitar 50 das espécies mais comercializadas no País. Brasília: EMBRAPA. 2010. 59p.

EMPRESA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Recomendações para a cultura do jiló. Niterói: PESAGRO/1989.16 p. (Informe Técnico n.º 18).

FILGUEIRA, F.A.R. Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. 2ª. ed., rev., ampl.. Viçosa: UFV, 2003. 412p.

GAVA, Altamir J.; GAVA. Princípios de Tecnologia de Alimentos. 7ª EDIÇÃO São Paulo: Livraria Nobel S.A, 1977.

HORTA ORGÂNICA: JILÓ. Disponível em: <http://www.ufms.br/horta/hortalicas.htm>. Acesso em: 11 fev. 2010.

LUENGO, R.F.A.; CALBO, A.G. Armazenamento de hortaliças. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2001. 242p.    

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